
Autor: Guilherme Fiuza
Editora: Record
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 336

Após sair de uma sala de cinema ao ver o filme Meu nome não é Johnny a sensação que se dar é a de que a vida tem jeito, que as coisas podem mudar, que o erro tem conserto, que o pecado tem salvação. João Estrella é a prova viva disso, e não apenas com a (impecável, diga-se de passagem) atuação de Selton Mello, João Estrella é real, ele existe. O que podemos conferir nas telonas é apenas uma interpretação, um resumo, uma compilação de tudo o que João Guilherme Estrella realmente viveu em sua vertiginosa vida. Para que a vida louca de um cara que (na época retratada no filme) tinha seus 35 anos pudesse ser retratada em algumas horas de película, é de se esperar que muito tenha sido modificado, compactado. E foi. Coisas foram misturadas, fases de sua vida foram "engolidas", namoradas foram esquecidas, personagens foram mesclados em um só. Mas todas essas modificações se fazem necessária e em nenhum momento deixa o filme perder sua qualidade. Meu nome não é Johnny não só é um bom filme, como tamém é um show de representação, é incrível ver Selton como um viciado, reproduzir tão bem o comportamento de um cara que vivia 24 horas por dia "ligado". Meu nome... também é uma bela história, uma história real, um exemplo de virada, uma lição de vida.
Porém, estou aqui para resenhar sobre o livro que deu origem ao filme. Livro escrito por Guilherme Fiuza e lançado pela editora Record (que peca por deixar a qualidade gráfica do livro a desejar). O livro é homônimo, e só fez sucesso de fato após o lançamento do filme, tanto que é quase impossível encontrar a versão com a capa original, pois nas prateleiras só se ver Selton Mello e Cleo Pires na capa. Acho até que não tenha sido lançado no Brasil antes do lançamento do filme, é possível se ler na orelha no livro que fora lançado em 2006 no Japão (?).
Aqui João Estrella consegue ser mais "porra-louca" que Selton nas telonas. Afinal, aqui ele está em sua essência, quase completo. Confesso ser um pouco difícil visualizar mentalmente algumas cenas retratadas no livro sem que João tenha a cara de Selton, mas em cenas totalmente alheias ao filme é possível "ver" o verdadeiro João interpretando-as (só não digo o mesmo para o caso de Sofia, essa só tem cara de Cleo Pires mesmo). Ainda mais vertiginosa é a vida do protagonista. A história do filho da burguesia que virou, quase que, da noite para o dia um verdadeiro barão da cocaína está ainda mais "ligada" nas páginas do livro. Os vai e vem de toda sua saga. Todas as suas viagens e "viagens". Os amores, os amigos, as quedas, as vitórias. Tudo. O que faltar, confesso, não faz falta. Guilherme Fiuza consegue narrar uma história de vida sem se importar com cronologia, coisa que é essencial nesse tipo de narração, porém faz isso com categoria. Saltos de 1986 para 1994 de 0 a 100 em segundos, ou de um parágrafo para o outro, e voltando para 1986 no seguinte. Só Guilherme consegue reproduzir tão bem os "flashbacks" de uma vida. Consegue pular na história para frente e para trás sem que a gente se "perca" na história. E quando eu reclamava de que quando ele ia nos contar uma história nova, sempre tinha que apresentar um novo personagem sem se fazer valer da lembrança do leitor, podendo tê-lo apresentado antes, fazendo assim saltos ao passado. Fiuza então vem com uma história que junta dois personagens do passado de João, e o faz com categoria, mal descreve as atitudes dos personagens, e em nossas mentes já estamos vivenciando toda a sua saga anterior. Difícil de entender o que eu disse? Melhor ler o livro antes...
O barão da cocaína é um anti-herói, que conseguimos amar, mas temos vontade de lhe dizer: "porra Estrella, pára com isso meu! Tu vai se foder!" bem ao estilo do vocabulário encontrado no livro. Por mais perfeita que tenha sido a atuação de Selton, Fiuza consegue "atuar" melhor como o Estrella em seu livro. E com livros assim eu nunca me canso de uma frase q eu msm inventei (apesar de achar q jah devem tê-la dito por aí): “Pq o Filme é bom, mas Livro, é melhor ainda!”.
Desculpem minha falta por aqui, semana superhipermegacorrida... hj é sábado e devia estar aqui para resenhar sobre o 5º episódio de Lost, o problema é que nem assisti ainda, falta tempo total. Já estou terminando de ler Elite da Tropa, talvez até o fim da semana eu mando a resenha dele tbm... agora vou esperar o pouco tempo q me resta e ver Lost, amanhã, quem sabe, sai a crítica do episódio da semana. A menos que tudo aconteça tão rapido e vertiginoso como foi toda minha semana, exatamente como era a vida de João Estrella; Semana tão louca que me fez chegar aqui, ao sábado, sem saber como, completamente anestesiado com uma sensação de que eu não sou daqui, uma estranha sensação de que meu nome não é Lucas! See ya!
To be continued...
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