Autor: Washington Olivetto
Editora: Planeta do Brasil
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 256
E mais uma Decepção
Meu professor de História da Arte começou o semestre mal. Logo nas primeiras aulas nos passou conteúdos de um livro que definia arte com sendo apenas pinturas e esculturas, discordei dele, e falei que amava livros, teatro e cinema (aquele conhecido por "A 7ª Arte"). Ele se desculpou dizendo que era o livro que estudávamos que se restringia apenas aos dois tipos de arte anteriormente citados, mas logo percebi em seu discurso, que ele já aderira àquela visão. Livro, Teatro e Cinema para o meu professor de História da Arte não são Arte. O suficiente para que o professor perdesse para mim toda a sua credibilidade. Passei a assistira Às suas aulas com um olhar mais crítico sempre me atentando às visões errôneas que ele tinha das outras artes. A credibilidade dele só não poderia ter caído mais se ele não tivesse feito um comentário infeliz no dia em que me viu tirar da mochila o livro Os Piores Textos de Washington Olivetto para ler. "Washington Olivetto? A melhor coisa que ele já 'fez' foi se deixar ser seqüestrado." Ao que eu pergunto: "Como assim professor?" e ele responde com o que eu já sabia que ele iria dizer, mas não queria acreditar: "A melhor coisa que já aconteceu com ele foi o fato de ter sido seqüestrado, esse cara é muito chato". Encerrei a conversa, notei que o professor esperou que eu continuasse, que dissesse mais alguma coisa. Solta aquele sorriso irônico demonstrando que está se armando para um debate. Não atendi Às suas ansiedades. Guardei o livro e fiquei encarando-o.
Após ler o livro de WO tive que esperar uns dias até a próxima aula de história, para finalmente dar ao professor a discussão que ele tanto queria. Iniciei com algo que o fizesse lembrar de nossa última conversa "Professor eu sou um fã assumido do Washington Olivetto" e então veio um sorriso ainda mais satisfatório,algo como "Opa! Vamos lá para a nossa discussão", mas não dei o que ele queria, o surpreendi ainda mais quando encerrei com "mas tenho que concordar contigo, aquele cara é chato pra caralho!"
O problema é que a única visão que eu tinha do WO era a do AUTOR de Na Toca dos Leões, ou seja, de um outro fã. Pior que eu já recebia alguns traços da personalidade dele no livro, mas só quando WO falou diretamente comigo foi que vi que (o que até eu mesmo desconfiava) ele é, sim, chato pacas.
Pior que minha professora de Língua Portuguesa leu meu livro antes de mim, e levou semanas para me devolver alegando que ia criar umas matrizes a partir dele pois "te muita coisa boa nele". Fui cheio de sede ao pote.
Livro para elite, aliás, WO só escreve para elite. Ele que tnato se diz defensor dos ideais populares, ele que diz que bom publicitário não deve andar apenas entre outros publicitários, que para ser um bom publicitário o lance é andar com o povão, conhecer a massa, pensar como o povo. Washington não demonstra nada de povão quando descreve suas viagens pela Europa enchendo de nomes italianos, franceses e outros mais na intenção clara de deixar você mal por ter certeza que nunca chegará onde chegou. Escreve inclusive um texto que fala que um estudante de publicidade hoje nunca chegaria a ter o número de prêmios que ele tem, e diz não acreditar que um estudante de publicidade com 19 anos hoje no Brasil nunca chegue a ser capa da Archive (importante revista de publicidade do mundo publicada apenas em inglês e alemão) daqui a 21 anos (o tempo que ele levou para ser capa da Archive).
Confesso que o livro não é de todo ruim. Quando ele se atenta a escrever só sobre publicidade, fica até bonzinho. Há alguns textos muito bons, alguns até me arrancaram alguma risada. Mas outros só me causou angústia, uns parecem ser muito longos de tão chatos que são. Alguns com tantos nomes estrangeiros (nomes de lugares e pratos locais) que você chega a pular parágrafos inteiros por saber que não adianta ler, você não vai entender.
Ele se atreve a publicar seus textos sobre as Propagandas Fantasmas, o maior terror do WO no mundo publicitário, são os textos que realmente gostei (apenas 5), ele fala da definição de Scum Advertisig. Ele foi o criador do termo Fantasma, e o maior ghostbuster de Cannes e outros festivais. Porém, mesmo criando uma ideologia radical como essa e se mostrando muito crítico e até me fazendo dar mais credibilidade a ele (como formador de opinião, pois a credibilidade dele como publicitário não está em questão) acaba me decepcionando ao afirmar (inúmeras vezes em vários textos) que Propaganda não é arte! Assim cê acaba comigo WO! Pior que ele consegue afirmar isso depois de descrever três das mais belas propagandas de todos os tempos (no texto "Passado, Presente e Futuro" p.174) dizendo que publicitários não são Artistas, e sim artesãos. PQP hein WO! Logo ele que é um dos maiores de todos os tempos uma celebridade. Ah, sem esquecer que ele fala que o Brasil é um dos pouquíssimos países que tratam seus publicitários como celebridades (Espanha é outro, diferente dos melhores EUA e Inglaterra) o que ele mesmo acha um exagero.
É um livro de auto-afirmação, isso é óbvio. Que se usa de psicologia reversa com uma falsa modéstia, quase nada maquiada a começar pelo título "Os Piores Textos de Washington Olivetto" que foi uma tentativa de quebrar expectativas, para que as pessoas (as que realmente pagam um pau para ele, como ele mesmo) ao terminar a leitura dissesse, "Putz, se esses são os 'Piores...' eu quero ler os 'Melhores...' agora!". Pois eu não. Concordo contigo mesmo Olivetto. Esses são os seus piores textos. Você só se garante mesmo é fazendo Propaganda. Por favor, não misture as coisas.


Um comentário:
Não tenho o que comentar sobre isso, não entendo nada de publicidade muito menos sobre essa cara. Beijos Lú.
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